Mostrando postagens com marcador Sonetos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sonetos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O vil esgoto humano

Somos filhos de todos os orfanatos,
Como as baratas, os vermes e os ratos.
Desprovidos de qualquer forma de beleza.
Imundos, por nossa verdadeira natureza.

Somos o vil esgoto humano,
Decadente, fétido e profano.
Somos o câncer vivo desta Terra,
Filhos do estupro, do roubo e da guerra.

De nossas veias jorra infeccioso o pus
Da podre ideologia que ainda nos conduz.
Somos covardes, vítimas da alienação.

Reproduzimos cegamente nossa própria condição,
Mas a dialética da história há de um dia enterrar
O que hoje é sólido, e desmancha-se no ar.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Soneto do Sarau

Ninguém sabia se haveria sarau,
O boato espalhou-se de repente.
E foi pelo bem, ou pelo mal,
Que à cada um chegava diferente.

Alguns diziam que era de Economia,
E outros diziam que era de Sociais.
Alguns juraram amor à boemia
E outros prometeram bacanais!

No Manhattan os bêbados bebiam,
E os copos até faltavam!
As mulheres lindas sorriam

E os bêbados pagavam,
Porque toda quinta-feira,
A solidão, não há quem queira!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Soneto Náufrago

Hoje o tempo não está para velejar,
A intempérie do teu mar de mágoas está acentuada.
Hoje o dia não está para pensar,
Mas será inevitável pensar tanto na antiga amada.

Naufragarás no meio desse oceano,
E com muita sorte chegarás no litoral.
Te darás conta que não tens um grande plano
Para que a lembrança dela pare de fazer-te mal.

Tua dor se transformará em poesia.
Passarás ainda muito tempo magoado
E te esconderás na boemia.

Mas se você for muito abençoado
Hoje pode ser o grande dia
Em que você supera o teu passado.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Soneto para a galera da Filosofia

Quando eu finalmente encontrei
A galera da Filosofia,
Fui feito só de alegria
E foi no bar que me realizei.

Entre as cervejas e cachaças
E essas mulheres adoráveis,
Tenho muitos loucos camaradas,
Todas pessoas muito amáveis.

Quando encontro essa galera
Surge no meu rosto um sorriso.
Dou um tapa na velha pantera,

E a alegria que preciso
Doma essa indomável fera,
Que no Manhattan morre no piso.

Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

(Nota: dedicado aos meus amigos do curso de Filosofia na UEM, galera gente boa parceira das noites de bebedeira no Manhattan e no Bora Bora)

Soneto dos 24 anos de idade

A minha infância já ficou à margem
E agora se vai minha tardia adolescência
Ainda com tão pouca malandragem
Mas também com tão pouca inocência

Já se passaram meus dias de mamadeira
E também os velhos dias do Jardim
Passarão também estes de bebedeira
Mas sempre terei algo do boêmio em mim

Sou velho demais para continuar errando
E novo demais para muito ter aprendido
E ainda não me acostumei com tanta seriedade

Quero ser amado e sempre estar amando
Para que no fim de tudo não me sinta arrependido
É assim que são meus vinte e quatro anos de idade

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Soneto do Desencargo

Queria escrever um soneto
Que fosse doce e amargo,
Feito gosto de Amaretto,
Pra minha alma um desencargo.

É assim que é o meu amor:
Metade é pura alegria,
A outra metade é pura dor,
E o meio-termo é poesia.

Minha alma as vezes chora,
E outras vezes ela ri.
E quando chegue minha hora

Deste mundo ir embora,
Jogarei minhas mágoas fora,
Porque de amor foi que vivi.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2010