Pátria
Padre
Partido
Patrão
No meu vocabulário
É tudo palavrão
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2012
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sábado, 28 de julho de 2012
Poema da bandeira do PSTU
Olha como é bonita
Como ela mexe com o vento
Vou colocar minha bandeira
Na frente do teu movimento
Minha bandeira ilumina
A crise de direção
Minha bandeira sai na foto
Na frente da multidão
Minha bandeira é tão fértil
Que ela até teve cria
É a bandeira da ANEL
Que os estudantes ela guia
Olha como é bonita
E multi-uso a bandeira
Ela serve de cabresto
E também serve de viseira
Minha bandeira é vermelha
Nela diz PSTU
Se você não gosta da bandeira
Então vai tomar no cu
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2012
Nota: fiz este poema como uma crítica ao PSTU, à sua insistência de colocar sua bandeira sempre à frente de tudo o que participam. O ego do partido é grande...
Como ela mexe com o vento
Vou colocar minha bandeira
Na frente do teu movimento
Minha bandeira ilumina
A crise de direção
Minha bandeira sai na foto
Na frente da multidão
Minha bandeira é tão fértil
Que ela até teve cria
É a bandeira da ANEL
Que os estudantes ela guia
Olha como é bonita
E multi-uso a bandeira
Ela serve de cabresto
E também serve de viseira
Minha bandeira é vermelha
Nela diz PSTU
Se você não gosta da bandeira
Então vai tomar no cu
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2012
Nota: fiz este poema como uma crítica ao PSTU, à sua insistência de colocar sua bandeira sempre à frente de tudo o que participam. O ego do partido é grande...
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Poema do militante da UNE
Viver de glórias do passado
E ter cargos no presente
Quem sabe um de nós
Será um dia presidente
Hoje há greve estudantil
Mas eu sou indiferente
Bater de frente com o governo?
Isso nunca vai pra frente!
O Mercadante é sempre honesto
E a Dilma nunca mente
Se a Dilma tocar pandeiro
Então eu canto o repente
Cinquenta atrás
Eu defendia o servidor
Defendia o estudante
Defendia o professor
Mas já saiu da moda
Defender trabalhador
Hoje a moda do inverno
É estar do lado do Reitor
Não há dúvida alguma
De que lado está minha lealdade
É com dinheiro do governo
Que eu construo minha entidade
Hoje a moda é ter um cargo
E eu sou bom aprendiz
Tenho dinheiro no meu bolso
E assim eu sou feliz!
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2012
Nota: com poemas também se fazem críticas, mesmo que sejam através de rimas toscas :)
E ter cargos no presente
Quem sabe um de nós
Será um dia presidente
Hoje há greve estudantil
Mas eu sou indiferente
Bater de frente com o governo?
Isso nunca vai pra frente!
O Mercadante é sempre honesto
E a Dilma nunca mente
Se a Dilma tocar pandeiro
Então eu canto o repente
Cinquenta atrás
Eu defendia o servidor
Defendia o estudante
Defendia o professor
Mas já saiu da moda
Defender trabalhador
Hoje a moda do inverno
É estar do lado do Reitor
Não há dúvida alguma
De que lado está minha lealdade
É com dinheiro do governo
Que eu construo minha entidade
Hoje a moda é ter um cargo
E eu sou bom aprendiz
Tenho dinheiro no meu bolso
E assim eu sou feliz!
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2012
Nota: com poemas também se fazem críticas, mesmo que sejam através de rimas toscas :)
A fome do candidato
Fome de poder
Fome de cargo
Sem embargo
Vão te fuder
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2012
Fome de cargo
Sem embargo
Vão te fuder
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2012
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Minha universidade (UEM)
Minha universidade é um canteiro de obras
E a arrogância de bater no peito de dizer:
"Sou a melhor do Paraná!"
Melhor?
Melhor fechar os olhos p'ra não ver
Melhor esquecer
Estudamos num feudo
e quem enxerga se rebela
ou cegamente se resume ao prazer
Quinta-feira tem polícia
Cacetete pronto p'ra bater
Spray-de-pimenta de refresco
Balas de borracha p'ra correr
Capitão, tem sangue no chão!
Tens sangue na farda,
Tens sangue na mão!
Pau-de-arara para utópico
Cadeia para maconheiro
Se é bicha mete bala
Lincha se é roqueiro
Vamos todos para a missa
na querida Catedral
ou no culto do domingo
p'ra rezar e ter moral
Depois faremos um sarau
onde diz na sepultura:
"Aqui descansa em paz,
fria e morta a cultura."
Ovacionemos quando chegue
o magnífico reitor
Já dez anos sem dar aula
muito FG como ge$tor
E a assistência estudantil?
Aqui é sempre uma piada
Para quem precisa mesmo
a UEM não oferece nada
Para poder comer no RU
tem fila de uma hora
E se não tem grana pro aluguel
você vai ter que ir embora!
Aqui na UEM não há justiça
nem se quer há Paridade
O que temos é uma máfia
que estupra a universidade
Pois é,
Minha universidade é um canteiro de obras
E arrogância de bater no peito e dizer:
"Sou a melhor do Paraná!"
Melhor?
Melhor abrir os olhos p'ra enxergar,
sair p'ra rua para lutar,
e sempre que for preciso
estar pronto p'ra ocupar!
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
E a arrogância de bater no peito de dizer:
"Sou a melhor do Paraná!"
Melhor?
Melhor fechar os olhos p'ra não ver
Melhor esquecer
Estudamos num feudo
e quem enxerga se rebela
ou cegamente se resume ao prazer
Quinta-feira tem polícia
Cacetete pronto p'ra bater
Spray-de-pimenta de refresco
Balas de borracha p'ra correr
Capitão, tem sangue no chão!
Tens sangue na farda,
Tens sangue na mão!
Pau-de-arara para utópico
Cadeia para maconheiro
Se é bicha mete bala
Lincha se é roqueiro
Vamos todos para a missa
na querida Catedral
ou no culto do domingo
p'ra rezar e ter moral
Depois faremos um sarau
onde diz na sepultura:
"Aqui descansa em paz,
fria e morta a cultura."
Ovacionemos quando chegue
o magnífico reitor
Já dez anos sem dar aula
muito FG como ge$tor
E a assistência estudantil?
Aqui é sempre uma piada
Para quem precisa mesmo
a UEM não oferece nada
Para poder comer no RU
tem fila de uma hora
E se não tem grana pro aluguel
você vai ter que ir embora!
Aqui na UEM não há justiça
nem se quer há Paridade
O que temos é uma máfia
que estupra a universidade
Pois é,
Minha universidade é um canteiro de obras
E arrogância de bater no peito e dizer:
"Sou a melhor do Paraná!"
Melhor?
Melhor abrir os olhos p'ra enxergar,
sair p'ra rua para lutar,
e sempre que for preciso
estar pronto p'ra ocupar!
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Aquele moleque do semáfaro
Aquele moleque do semáforo
hoje foi atropelado
Quantas vezes não passei
e falei que não tinha grana?
Neste mundo cruel
viramos a cara para não ver
É mais fácil ser cego
do que sentir-se covarde
Aquele moleque do semáfaro
nunca mais vai caminhar
O Estado, soberano,
pouca coisa vai fazer
E a sociedade, cega,
vai virar a cara pra não ver
Quando ele não estava na avenida
matava a fome cheirando cola
Aquele moleque no semáfaro
é apenas uma criança.
hoje foi atropelado
Quantas vezes não passei
e falei que não tinha grana?
Neste mundo cruel
viramos a cara para não ver
É mais fácil ser cego
do que sentir-se covarde
Aquele moleque do semáfaro
nunca mais vai caminhar
O Estado, soberano,
pouca coisa vai fazer
E a sociedade, cega,
vai virar a cara pra não ver
Quando ele não estava na avenida
matava a fome cheirando cola
Aquele moleque no semáfaro
é apenas uma criança.
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
Anatomia do ódio de um extremista
Nas tuas entranhas
a vontade de matar
nos teus olhos
a vontade de não ver
na tua garganta
ofensas entaladas
um sorriso por vingança
o perfume da própria morte
tua raiva desmedida
parece não ter fim
você quer matar
por medo de morrer
mas na verdade algo já morreu em ti
Eres a sombra do passado
a vontade de matar
nos teus olhos
a vontade de não ver
na tua garganta
ofensas entaladas
um sorriso por vingança
o perfume da própria morte
tua raiva desmedida
parece não ter fim
você quer matar
por medo de morrer
mas na verdade algo já morreu em ti
Eres a sombra do passado
....uma ferida aberta neste mundo.
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Carta de Alforria
Acordo solitário no meu quarto
e ascendo um baseado
Ta tudo uma bagunça
Não tenho um puto no bolso
e tantas contas pra pagar
Viver custa caro
e pros meus desejos não sobra quase nada
Me restam apenas os pequenos vícios
Cansei de Maringá
e sei que é minha culpa ainda estar aqui
Quero sair livre pelo mundo
respirar o ar de todas as terras
e ouvir todas as línguas
Mas minhas obrigações me prendem como uma âncora
Quero rasgar a pequena jaula da minha existência
e derrubar todos os muros
Cansei de ser detento
de esperar que o destino me liberte
Vou escrever minha própria carta de alforria
e sair pro mundo pra ferir o Capital
Carrego comigo a certeza
que tudo pode mudar
e a vontade inquietante
e ascendo um baseado
Ta tudo uma bagunça
minha vida
meu quarto
o mundo la fora
meu quarto
o mundo la fora
Não tenho um puto no bolso
e tantas contas pra pagar
Viver custa caro
e pros meus desejos não sobra quase nada
Me restam apenas os pequenos vícios
um maço de cigarro paraguaio
uma tubaína e qualquer pinga vagabunda
uma tubaína e qualquer pinga vagabunda
Cansei de Maringá
e sei que é minha culpa ainda estar aqui
Quero sair livre pelo mundo
respirar o ar de todas as terras
e ouvir todas as línguas
Mas minhas obrigações me prendem como uma âncora
contas
dívidas
diplomas
dívidas
diplomas
Quero rasgar a pequena jaula da minha existência
e derrubar todos os muros
Cansei de ser detento
de esperar que o destino me liberte
Vou escrever minha própria carta de alforria
e sair pro mundo pra ferir o Capital
Carrego comigo a certeza
que tudo pode mudar
e a vontade inquietante
de viver
de conhecer
e de lutar
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
de conhecer
e de lutar
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
domingo, 3 de julho de 2011
Linhas vagas
Não vieram mais cartas
apenas contas
multas
atrasos
A frustração a que me constringe o Capital
Estou longe dos sonhos de consumo
Não tenho ticket do R.U.
nem maço de 2000
Tenho apenas sonhos para consumir
e a vontade de beber
E uma carta em branco para o mundo
em que traço como analfabeto
as linhas vagas do meu destino
apenas contas
multas
atrasos
A frustração a que me constringe o Capital
Estou longe dos sonhos de consumo
Não tenho ticket do R.U.
nem maço de 2000
Tenho apenas sonhos para consumir
e a vontade de beber
E uma carta em branco para o mundo
em que traço como analfabeto
as linhas vagas do meu destino
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Maringá ( A imprescindível resistência)
Não pode ir pro bar
Não pode fumar
Não pode querer
Não pode foder
Pode ir trabalhar
Ir pra igreja rezar
Ir pra aula pra ver
O que vai esquecer
Não pode lutar
Nem tentar mudar
Nem sequer podes ter
Um sonho pra crer
Só podes votar
Em quem vai te roubar
Podes só se entreter
No lugar de viver
Não pode amar...
Porra!
Querem te calar
Mas você pode GRITAR
Você tem o poder
De não obedecer
Maringá sangra...
Viva a imprescindível resistência,
Sílvio Barros não vai roubar a minha consciência!
Não pode fumar
Não pode querer
Não pode foder
Pode ir trabalhar
Ir pra igreja rezar
Ir pra aula pra ver
O que vai esquecer
Não pode lutar
Nem tentar mudar
Nem sequer podes ter
Um sonho pra crer
Só podes votar
Em quem vai te roubar
Podes só se entreter
No lugar de viver
Não pode amar...
Mas pode comprar
Não pode vencer...Mas pode vender
Porra!
Querem te calar
Mas você pode GRITAR
Você tem o poder
De não obedecer
Se não posso amar
Prefiro matar
Se não posso viver
Prefiro morrer
Prefiro matar
Se não posso viver
Prefiro morrer
Maringá sangra...
Liberdade, porra!
Viva a imprescindível resistência,
Sílvio Barros não vai roubar a minha consciência!
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
O vil esgoto humano
Somos filhos de todos os orfanatos,
Como as baratas, os vermes e os ratos.
Desprovidos de qualquer forma de beleza.
Imundos, por nossa verdadeira natureza.
Somos o vil esgoto humano,
Decadente, fétido e profano.
Somos o câncer vivo desta Terra,
Filhos do estupro, do roubo e da guerra.
De nossas veias jorra infeccioso o pus
Da podre ideologia que ainda nos conduz.
Somos covardes, vítimas da alienação.
Reproduzimos cegamente nossa própria condição,
Mas a dialética da história há de um dia enterrar
O que hoje é sólido, e desmancha-se no ar.
Como as baratas, os vermes e os ratos.
Desprovidos de qualquer forma de beleza.
Imundos, por nossa verdadeira natureza.
Somos o vil esgoto humano,
Decadente, fétido e profano.
Somos o câncer vivo desta Terra,
Filhos do estupro, do roubo e da guerra.
De nossas veias jorra infeccioso o pus
Da podre ideologia que ainda nos conduz.
Somos covardes, vítimas da alienação.
Reproduzimos cegamente nossa própria condição,
Mas a dialética da história há de um dia enterrar
O que hoje é sólido, e desmancha-se no ar.
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Poema aos meus calouros
Ah calouros, que saudade de uma época que nunca foi!
Bem-vindos à desgraça
À adolescência forever
Ao Big Brother Brasil
Às novelas da Globo
À panelinhas
À festas exclusivas
À dogmas mesquinhos
À aulas intoleráveis
À usar o orkut como substituto à uma vida social
À professores que estão convencidos que são deus
E alunos que temem viver
Bem-vindos!
O mundo é bonito
E perfeito
Sociais da grana
Ninguém bebe
Muito menos usa drogas
Não há luta de classes
Nem proletariado
Nem burguesia
Há Big Brother Brasil!
Há trocar idéia com meia dúzia
E ser descolado
Há falar da roupa da tua professora
E de teu colega que falta à aula
Há lindas fofocas
De quem fez o quê
Ah, como queria recitar Poema em Linha Reta
E tomar uma dose de um real no bar do Seu Pedrinho
E falar das constradições entre Álvaro de Campos
E o grande mestre Caieiro
O importante é o orkut!
A vida é secundária
Depois do trote
Os loucos ficarão com os loucos
E os caretas com os caretas
Que belas panelinhas!
Que bela integração!
Pagarei meu dízimo
Levarei uma Ypioca
Tomarei tuas bebidas
Fecharei o Bora Bora
Aguardarei o ERECS!
Fingirei ser simpático
Ser politicamente correto
Usarei jargões mastigados
Falarei de Anarquismo
E da noite passada
Cantarei velhas músicas do Adoniran Barbosa
E de Led Zeppelin (que é um som do caralho!)
Assistirei aulas com meus calouros
(que não reprovaram dois anos seguidos)
Direi que Sociais só vale o diploma
Ficarei triste depois de comer no R.U.
Tomarei um café
Fumarei meu cigarro paraguaio
Reclamarei de como falta Rock n Roll em Maringá
Irei ao Sarau e fingirei que é cultura
Obedecerei à autoridade em nome de passar de ano
Negarei ser sujeito da minha existência
E contemplar a dualidade partícula-onda
E vomitar teorias idosas
E encher meu Currículo Lattes
Como se enche o lixo do banheiro com papel higiênico com merda
Ah, Big Brother Brasil!
Prefiro dormir
À fingir que estou acordado
Ciências Sociais
Que curso da moda!
Vamos entender o que é cultura
E ser alternativos
Vamos gastar 80 reais por mês com textos
E fingir que entendemos
Vamos escutar Belchior e trajar velhos símbolos soviéticos
E babar na Lady Gaga
Eiiiittttaaa, Big Brother Brasil!!!!!!
É isso que dá grana
Sociais da desemprego!
Vou fingir ser pegador
Vou fingir ser educado
Vou fingir saber do que falo
Não sei porque algumas coisas me irritam
Que saudade de uma época que nunca foi!
De um futuro que não será
De um presente que nã é!
Ah C67
Finado Revolução
A Salinas do Seu Adão
O velho sobradinho verde
Onde foram parar?
Como que viramos tão legais?
E tão descolados?
Quando que a vida do orkut
Virou mais real
Do que a vida real?
E o que é real?
É tudo socialmente construído?!?
Esperaremos sempre que os outros façam
Para que não tenhamos que fazer
Amemos Malhação
E coloquemos aquela baita foto linda no orkut
E ainda no fim
Todos cult e cool
Ouviremos Los Hermanos
(ou Chico Buarque)
Com uma reclamação sobre a indústria cultural
E um salgadinho de 3 conto na mão
E eu,
Bebasso
Gritarei "Satanás" em vosso trote
E muitos ficarão ofendidos
Por desafiar a sagrada moral judaico-cristã
Falarei de Pannekoek
E de Herman Goerter
E fingirei saber de Marx mais do que você
Falarei que eu detesto Antropologia
E que não aguento mais ler texto de aldeia
Farei uma defesa da Ciência Política
Te convidarei pro bar
Argumentarei contra a religião
E contra a moral
E contra a centralização
Te falarei de Ferreira Gullar
E da superação do concretismo
E de como o grande Aristóteles estava errado
Te falarei mais uma vez de Ypioca
(como se fosse o velho jargão)
E com certeza direi coisas idiotas
Com um puta bafo de cachaça
Te direi que o Kanarinhus é uma merda (e é)
Que o Democrático é palha
Que o Marcão é cuzão
E que o único bar decente é o Bora
(e é claro o Seu Pedrinho)
Te direi do quanto que detesto sertanejo
E amo o velho Blues
Fingirei no dia 21
Que você, calouro, é burro
E eu, veterano, sou esperto
Contarei até 5.000 no comunidade da minha sala
E falarei de sexo para ser legal
Encontrarei alguma forma de chamar atenção
E serei descolado
Muito descolado
Afinal das contas,
Sociais é um curso cool
Vou pretender que a vida é pura diversão
E esconder minhas palas
Para você não saber
Deus me livre, não vai na esquina do Manhattan na quinta-feira!
Nem me pergunte o que rolou anos atrás
Ou porque que eu sou queimado
Vamos ver MTV
Globo Reporter
Tudo Fantástico!!!
Eu sou um bolinho de arroz!
Minhas perninhas vieram só depois!
Eu não tenho boquinha pra sorrir?
Por que?
Vamos dançar funk no Nite
E fingir que não há moralismo
E muito menos vulgaridade
Vamos no Tribos ser do Rock!
E ser arrogante, como eu, nesta comunidade
Vamos escrever um monte de merda
Regurgitar discursos falsos
E no final de tudo
Sem saber o que dizer
Diremos que Ypioca é uma puta cachaça
(por valer 9 reais)
Vou fingir que meu gosto de bebida é melhor que o teu
E que minha roda é louca
E a tua careta
Vou dizer
(com todo preconceito)
Que Sociais não é agronomia
E que aqui não rola Produfest
Vou me gabar que minha universidade é estadual
E que é a melhor do Paraná
Vou pagar pau para a Marly
E a família Barros
Como adoro uma dose de conservadorismo na minha vida!
Lei seca, Lei seca, Lei seca
Que saudade das épocas do vestiba!
De ver a Mário Urbinatti lotada
Do tomar uma cachaça de Salinas na Padoka
E por que escrevi tudo isto?
Olha, eu não sei
Nem você vai saber
Mas ironia
Sarcasmo
E deboche...
É uma puta idiotice arrogante.
O que tenho à dizer
É que o trote será legal
Seremos todos descolados
E eu tomarei Ypioca
Alguns tomarão cerveja
Outros Jurupinga
Alguns te dirão que Catuaba é a bebida do curso (quando ninguém toma essa merda)
Alguns tomarão água
Alguns tomarão bebidas importadas
Alguns tomarão yakult
Alguns nem tomarão
Mas eu...
vou tomar Ypioca!
Nota: Escrevi este poema como protesto antes do início das aulas após ler os comentários infantis postados na comunidade de Ciências Sociais no orkut.
Bem-vindos à desgraça
À adolescência forever
Ao Big Brother Brasil
Às novelas da Globo
À panelinhas
À festas exclusivas
À dogmas mesquinhos
À aulas intoleráveis
À usar o orkut como substituto à uma vida social
À professores que estão convencidos que são deus
E alunos que temem viver
Bem-vindos!
O mundo é bonito
E perfeito
Sociais da grana
Ninguém bebe
Muito menos usa drogas
Não há luta de classes
Nem proletariado
Nem burguesia
Há Big Brother Brasil!
Há trocar idéia com meia dúzia
E ser descolado
Há falar da roupa da tua professora
E de teu colega que falta à aula
Há lindas fofocas
De quem fez o quê
Ah, como queria recitar Poema em Linha Reta
E tomar uma dose de um real no bar do Seu Pedrinho
E falar das constradições entre Álvaro de Campos
E o grande mestre Caieiro
O importante é o orkut!
A vida é secundária
Depois do trote
Os loucos ficarão com os loucos
E os caretas com os caretas
Que belas panelinhas!
Que bela integração!
Pagarei meu dízimo
Levarei uma Ypioca
Tomarei tuas bebidas
Fecharei o Bora Bora
Aguardarei o ERECS!
Fingirei ser simpático
Ser politicamente correto
Usarei jargões mastigados
Falarei de Anarquismo
E da noite passada
Cantarei velhas músicas do Adoniran Barbosa
E de Led Zeppelin (que é um som do caralho!)
Assistirei aulas com meus calouros
(que não reprovaram dois anos seguidos)
Direi que Sociais só vale o diploma
Ficarei triste depois de comer no R.U.
Tomarei um café
Fumarei meu cigarro paraguaio
Reclamarei de como falta Rock n Roll em Maringá
Irei ao Sarau e fingirei que é cultura
Obedecerei à autoridade em nome de passar de ano
Negarei ser sujeito da minha existência
E contemplar a dualidade partícula-onda
E vomitar teorias idosas
E encher meu Currículo Lattes
Como se enche o lixo do banheiro com papel higiênico com merda
Ah, Big Brother Brasil!
Prefiro dormir
À fingir que estou acordado
Ciências Sociais
Que curso da moda!
Vamos entender o que é cultura
E ser alternativos
Vamos gastar 80 reais por mês com textos
E fingir que entendemos
Vamos escutar Belchior e trajar velhos símbolos soviéticos
E babar na Lady Gaga
Eiiiittttaaa, Big Brother Brasil!!!!!!
É isso que dá grana
Sociais da desemprego!
Vou fingir ser pegador
Vou fingir ser educado
Vou fingir saber do que falo
Não sei porque algumas coisas me irritam
Que saudade de uma época que nunca foi!
De um futuro que não será
De um presente que nã é!
Ah C67
Finado Revolução
A Salinas do Seu Adão
O velho sobradinho verde
Onde foram parar?
Como que viramos tão legais?
E tão descolados?
Quando que a vida do orkut
Virou mais real
Do que a vida real?
E o que é real?
É tudo socialmente construído?!?
Esperaremos sempre que os outros façam
Para que não tenhamos que fazer
Amemos Malhação
E coloquemos aquela baita foto linda no orkut
E ainda no fim
Todos cult e cool
Ouviremos Los Hermanos
(ou Chico Buarque)
Com uma reclamação sobre a indústria cultural
E um salgadinho de 3 conto na mão
E eu,
Bebasso
Gritarei "Satanás" em vosso trote
E muitos ficarão ofendidos
Por desafiar a sagrada moral judaico-cristã
Falarei de Pannekoek
E de Herman Goerter
E fingirei saber de Marx mais do que você
Falarei que eu detesto Antropologia
E que não aguento mais ler texto de aldeia
Farei uma defesa da Ciência Política
Te convidarei pro bar
Argumentarei contra a religião
E contra a moral
E contra a centralização
Te falarei de Ferreira Gullar
E da superação do concretismo
E de como o grande Aristóteles estava errado
Te falarei mais uma vez de Ypioca
(como se fosse o velho jargão)
E com certeza direi coisas idiotas
Com um puta bafo de cachaça
Te direi que o Kanarinhus é uma merda (e é)
Que o Democrático é palha
Que o Marcão é cuzão
E que o único bar decente é o Bora
(e é claro o Seu Pedrinho)
Te direi do quanto que detesto sertanejo
E amo o velho Blues
Fingirei no dia 21
Que você, calouro, é burro
E eu, veterano, sou esperto
Contarei até 5.000 no comunidade da minha sala
E falarei de sexo para ser legal
Encontrarei alguma forma de chamar atenção
E serei descolado
Muito descolado
Afinal das contas,
Sociais é um curso cool
Vou pretender que a vida é pura diversão
E esconder minhas palas
Para você não saber
Deus me livre, não vai na esquina do Manhattan na quinta-feira!
Nem me pergunte o que rolou anos atrás
Ou porque que eu sou queimado
Vamos ver MTV
Globo Reporter
Tudo Fantástico!!!
Eu sou um bolinho de arroz!
Minhas perninhas vieram só depois!
Eu não tenho boquinha pra sorrir?
Por que?
Vamos dançar funk no Nite
E fingir que não há moralismo
E muito menos vulgaridade
Vamos no Tribos ser do Rock!
E ser arrogante, como eu, nesta comunidade
Vamos escrever um monte de merda
Regurgitar discursos falsos
E no final de tudo
Sem saber o que dizer
Diremos que Ypioca é uma puta cachaça
(por valer 9 reais)
Vou fingir que meu gosto de bebida é melhor que o teu
E que minha roda é louca
E a tua careta
Vou dizer
(com todo preconceito)
Que Sociais não é agronomia
E que aqui não rola Produfest
Vou me gabar que minha universidade é estadual
E que é a melhor do Paraná
Vou pagar pau para a Marly
E a família Barros
Como adoro uma dose de conservadorismo na minha vida!
Lei seca, Lei seca, Lei seca
Que saudade das épocas do vestiba!
De ver a Mário Urbinatti lotada
Do tomar uma cachaça de Salinas na Padoka
E por que escrevi tudo isto?
Olha, eu não sei
Nem você vai saber
Mas ironia
Sarcasmo
E deboche...
É uma puta idiotice arrogante.
O que tenho à dizer
É que o trote será legal
Seremos todos descolados
E eu tomarei Ypioca
Alguns tomarão cerveja
Outros Jurupinga
Alguns te dirão que Catuaba é a bebida do curso (quando ninguém toma essa merda)
Alguns tomarão água
Alguns tomarão bebidas importadas
Alguns tomarão yakult
Alguns nem tomarão
Mas eu...
vou tomar Ypioca!
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2011
Nota: Escrevi este poema como protesto antes do início das aulas após ler os comentários infantis postados na comunidade de Ciências Sociais no orkut.
Tem tanta coisa p'ra mudar!
Não fique aí parado,
tem tanta coisa p'ra mudar!
Pense, participe e movimente-se,
para que ninguém negue teu direito de participar.
Você pode ser a gota
que move todo o oceano,
mas se você ficar aí parado
pode ser um grande engano.
Uma gota sozinha
não gera muito movimento,
mas muitas gotas juntas
podem mudar o pensamento!
Há cartazes por aí
cheios de celebridades,
que propagam tantas mentiras
e ocultam muitas verdades.
Não se contente com o mínimo,
tem tanta coisa p'ra mudar!
Outros pensarão por ti
se você não pensar.
Por trás de piadas velhas
há velhas pretensões,
não deixe que te excluam
de tomar as decisões!
É preciso ir à luta
É preciso descentralizar
se queremos garantir
o direito de participar.
É uma pena que alguns
defendam a censura,
quando quase todos querem
mais acesso à cultura.
É uma pena que alguns
querem ocultar a arte da vista,
não há porque pintar por cima
da obra de um artista.
As piadas perdem a graça
depois de contadas pela segunda vez.
A situação não é engraçada,
ela demanda lucidez.
Então na quarta-feira,
que é dia de eleição,
pense bem no seu voto
e vote com atenção!
Nota: Este poema foi usado na campanha vitoriosa da chapa Movimente-se UEM para o DCE, e faz referência à campanha do Bonde do Amor (cartazes com celebridades) e à censura que promoveram ao grafite do Isaac numa das portas do Restaurante Universitário.
tem tanta coisa p'ra mudar!
Pense, participe e movimente-se,
para que ninguém negue teu direito de participar.
Você pode ser a gota
que move todo o oceano,
mas se você ficar aí parado
pode ser um grande engano.
Uma gota sozinha
não gera muito movimento,
mas muitas gotas juntas
podem mudar o pensamento!
Há cartazes por aí
cheios de celebridades,
que propagam tantas mentiras
e ocultam muitas verdades.
Não se contente com o mínimo,
tem tanta coisa p'ra mudar!
Outros pensarão por ti
se você não pensar.
Por trás de piadas velhas
há velhas pretensões,
não deixe que te excluam
de tomar as decisões!
É preciso ir à luta
É preciso descentralizar
se queremos garantir
o direito de participar.
É uma pena que alguns
defendam a censura,
quando quase todos querem
mais acesso à cultura.
É uma pena que alguns
querem ocultar a arte da vista,
não há porque pintar por cima
da obra de um artista.
As piadas perdem a graça
depois de contadas pela segunda vez.
A situação não é engraçada,
ela demanda lucidez.
Então na quarta-feira,
que é dia de eleição,
pense bem no seu voto
e vote com atenção!
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010
Nota: Este poema foi usado na campanha vitoriosa da chapa Movimente-se UEM para o DCE, e faz referência à campanha do Bonde do Amor (cartazes com celebridades) e à censura que promoveram ao grafite do Isaac numa das portas do Restaurante Universitário.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Na noite negra do anarquismo
Na noite negra do anarquismo
A lua da autogestão ofuscará as estrelas partidárias,
O orvalho anunciará que as correntes foram rompidas,
E por fim a humanidade acordará sob o sol da liberdade.
A lua da autogestão ofuscará as estrelas partidárias,
O orvalho anunciará que as correntes foram rompidas,
E por fim a humanidade acordará sob o sol da liberdade.
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2011
O vermelho desta terra
Olhei pela janela do meu ônibus
E vi imensos campos verdes
Achei tão linda essa interminável paisagem
Dotada da mais pura poesia
Mas aí eu me dei conta era soja
Onde agora jazem as transgênicas leguminosas
E envenenam o vermelho deste solo
Um dia houveram, imponentes,
As mais belas florestas tropicais
E nessas florestas viveram os verdadeiros donos desta terra
Mas eles foram todos assassinados
E foi com seu sangue inocente
Que mancharam de vermelho esta terra
E vi imensos campos verdes
Achei tão linda essa interminável paisagem
Dotada da mais pura poesia
Mas aí eu me dei conta era soja
...e fiquei tão triste
Onde agora jazem as transgênicas leguminosas
E envenenam o vermelho deste solo
Um dia houveram, imponentes,
As mais belas florestas tropicais
E nessas florestas viveram os verdadeiros donos desta terra
Mas eles foram todos assassinados
E foi com seu sangue inocente
Que mancharam de vermelho esta terra
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Juranda 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Mundo cão
Quem me dera se este mundo cão
realmente fosse como um cão
que sempre te recebe com carinho
Eu não teria que escrever este poema como um latido
Mas acontece que este imenso mundo cão
por ser humano é deshumano
e por engano não tem coração
Neste imenso mundo cão
a liberdade tem coleira
os sonhos da humanidade apodrecem na lixeira
e a justiça foi castrada
e condenada à escuridão
- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2011
(Nota: o termo mundo cão é uma baita injustiça com os cães)
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Poema à um camarada da Vanguarda Iluminada
Camarada,
que pena que fostes cooptado pela malevolência partidária
Tinhas no teu sangue a chama ardente da revolução
que se corroeu no triste reformismo vanguardista
Tua ânsia por justiça apodreceu
e tua sede de liberdade
se transformou em fome de poder
Te convenceram que só o mínimo é possível
e que os sonhos são pequenos e utópicos
Te ensinaram à obedecer
à vomitar cegamente frases prontas
Que pena que achas que o poder deve pertencer à poucos
e que teus dogmas doutrinários
são verdades absolutas
A centralização não é libertadora,
e não se muda o mundo
com duas bandeiras vermelhas
e meia-dúzia de panfletos
Uma vanguarda de elite
só serve para ser elite
e mandar em nome do proletariado
Enquanto nossa única escolha
seja escolher quem vai escolher por nós...
O caminho para a emancipação humana
é claramente horizontal
Mas lembre-se que você tem o livre arbítrio
e não precisa sempre obedecer a hierarquia
Ainda há tempo para mudar
e coragem para não obedecer
que pena que fostes cooptado pela malevolência partidária
Tinhas no teu sangue a chama ardente da revolução
que se corroeu no triste reformismo vanguardista
Quanto autoritarismo mascarado!
Tua ânsia por justiça apodreceu
e tua sede de liberdade
se transformou em fome de poder
Que pena!
Te convenceram que só o mínimo é possível
e que os sonhos são pequenos e utópicos
Te ensinaram à obedecer
à vomitar cegamente frases prontas
Que pena que achas que o poder deve pertencer à poucos
e que teus dogmas doutrinários
são verdades absolutas
A centralização não é libertadora,
e não se muda o mundo
com duas bandeiras vermelhas
e meia-dúzia de panfletos
Uma vanguarda de elite
só serve para ser elite
e mandar em nome do proletariado
Enquanto nossa única escolha
seja escolher quem vai escolher por nós...
o mundo será uma merda!
O caminho para a emancipação humana
é claramente horizontal
....pena que você não enxergue isso, camarada
Mas lembre-se que você tem o livre arbítrio
e não precisa sempre obedecer a hierarquia
Ainda há tempo para mudar
e coragem para não obedecer
...não tenha dúvida disso, camarada.
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A matéria podre
Eu olhei no espelho
e encontrei uma multidão de metáforas indiretas
reconheci minha crueldade
pois minha alma se fragmentou
em mil contradições
e eu
sou apenas um reflexo
dos aspectos mais sombrios da mente humana...
A falta de luz
assim como seu excesso
Nesse longo caminho
e já me cancei de tantas metáforas indiretas
de não poder dizer o que sinto
por medo de machucar
A razão, coitada, me condena
e a metafísica não me convence
só me consolo em saber que eu sou sujeito da minha própria existência imunda
e o mundo material
que sujeita nossa existência
pode ser mudado por nossa matéria
Me dei conta que a miséria do mundo
é um reflexo
da miséria do intelecto humano
sou podre como o mundo
e corrupto como toda a humanidade
O egoísmo de nosso ser
é de longe o maior de nossos defeitos
e nos transformamos em mesquinhos seres repugnantes...
Coitado o mundo
e nós
que mudamos tanto
mas no fim
permanecemos iguais
e encontrei uma multidão de metáforas indiretas
reconheci minha crueldade
pois minha alma se fragmentou
em mil contradições
e eu
sou apenas um reflexo
dos aspectos mais sombrios da mente humana...
me perdi no carnaval lúgubre das minhas decepções
A falta de luz
assim como seu excesso
...nos cegam
Nesse longo caminho
encontrei a glaucoma dos meus olhos
a hipertrofia do meu coração
a hipertrofia do meu coração
e já me cancei de tantas metáforas indiretas
de não poder dizer o que sinto
por medo de machucar
A razão, coitada, me condena
e a metafísica não me convence
só me consolo em saber que eu sou sujeito da minha própria existência imunda
e o mundo material
que sujeita nossa existência
pode ser mudado por nossa matéria
Me dei conta que a miséria do mundo
é um reflexo
da miséria do intelecto humano
...e eu não sou menos culpado
sou podre como o mundo
e corrupto como toda a humanidade
O egoísmo de nosso ser
é de longe o maior de nossos defeitos
e nos transformamos em mesquinhos seres repugnantes...
Coitado o mundo
e nós
que mudamos tanto
mas no fim
permanecemos iguais
...mas ainda há esperança em saber
que a matéria podre
quando enterrada
vira adubo
e permite florecer
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010
que a matéria podre
quando enterrada
vira adubo
e permite florecer
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A vergonha do meu próprio egoísmo
Eu chorei
porque estava aqui sentado sozinho
fumando meu cigarro raivosamente
lamentando minhas mágoas de amor
e me senti tão fraco
tive vergonha do meu próprio egoísmo
O vazio que há dentro de mim
esta angústia
esta dor
é tão insignificante comparado com toda a dor que há no mundo
Eu me senti triste
por saber que me sinto triste
quando na verdade eu estou bem
e enquanto assistia o documentário
para me distrair da tristeza
que uma mulher me deixou
eu vi uma mulher chorar
pela dor que nunca vai lhe abandonar
da tristeza que o assassinato de seu filho lhe deixou
me senti vil e impotente
e o nojo que senti do mundo
também senti de mim mesmo
tive vergonha do meu próprio egoísmo
porque enquanto já me chamei de militante...
o que eu mais busco
não é mudar o mundo
Tantas madrugadas de festa
e tardes de ressaca...
no fim de tudo me sinto culpado
por não dedicar-me integralmente
à causa da revolução
por não ser um mártir
Pois é
acontece que perante as coisas boas do mundo...
mulheres
festas
(boemia)
e enquanto eu aproveito minha juventude
minha vida de estudante...
as velhas tragédias se repetem
(no mundo real
o coro continua à comer)
Pois é
eu tenho vergonha disso
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringa 2010
porque estava aqui sentado sozinho
fumando meu cigarro raivosamente
lamentando minhas mágoas de amor
quando num documentário
eu vi toda a força do povo
vi a injustiça deste mundo
eu vi toda a força do povo
vi a injustiça deste mundo
e me senti tão fraco
tive vergonha do meu próprio egoísmo
O vazio que há dentro de mim
esta angústia
esta dor
é tão insignificante comparado com toda a dor que há no mundo
Eu me senti triste
por saber que me sinto triste
quando na verdade eu estou bem
e enquanto assistia o documentário
para me distrair da tristeza
que uma mulher me deixou
eu vi uma mulher chorar
pela dor que nunca vai lhe abandonar
da tristeza que o assassinato de seu filho lhe deixou
me senti vil e impotente
e o nojo que senti do mundo
também senti de mim mesmo
tive vergonha do meu próprio egoísmo
porque enquanto já me chamei de militante...
o que eu mais busco
não é mudar o mundo
é o prazer
a euforia
é sentir-me bem
a euforia
é sentir-me bem
Tantas madrugadas de festa
e tardes de ressaca...
no fim de tudo me sinto culpado
por não dedicar-me integralmente
à causa da revolução
por não ser um mártir
Pois é
acontece que perante as coisas boas do mundo...
mulheres
festas
(boemia)
eu sou fraco
e enquanto eu aproveito minha juventude
minha vida de estudante...
as velhas tragédias se repetem
(no mundo real
o coro continua à comer)
Pois é
eu tenho vergonha disso
- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringa 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Manual do Militante
Subverta horizontalmente a ordem hierárquica.
Abstraia em densas teorias e conceitos precisos toda a práxis revolucionária necessária para mudar um mundo confuso e sombrio.
Enfrente de peito aberto todas as injustiças, e não tenha medo de morrer.
Tenha o pulso firme com os inimigos, e um abraço caloroso para os amigos.
Mas acima de tudo, não se esqueça de amar!
A doce loucura de um beijo é o único refúgio da insanidade deste mundo.
Abstraia em densas teorias e conceitos precisos toda a práxis revolucionária necessária para mudar um mundo confuso e sombrio.
Enfrente de peito aberto todas as injustiças, e não tenha medo de morrer.
Tenha o pulso firme com os inimigos, e um abraço caloroso para os amigos.
Mas acima de tudo, não se esqueça de amar!
A doce loucura de um beijo é o único refúgio da insanidade deste mundo.
Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010
(Nota: poema exibido num "sarau" de Ciências Sociais e Filosofia na UEM)
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