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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A crueldade do silêncio

Entre todas as formas que eu poderia ter te agredido
eu escolhi a mais cruel:
o silêncio

Não quero te dizer nada
muito menos gritar
Quero apenas o conforto ilusório da distância

Hoje a tua presença me agride
quando antes era a tua ausência

A lembrança do que já foi
(e não é mais)
me fere

Então uso o silêncio como um escudo
e tento o máximo te evitar

Eu nunca poderia desejar-te mal
muito menos te odiar

Todos os dias eu torço para que você encontre a plenitude da felicidade

não quero mais que você faça parte da minha vida

...dói demais

Não peça que eu mude
nem que seja teu amigo

Te amei mais que tudo neste mundo
e durante um ano você foi toda a minha vida

Não posso fingir que está tudo bem
nem mentir p'ra mim mesmo
Dizer que já passou

Peço-te perdão por todo o mal que eu te tenho feito

Eu sei que é minha culpa,
mas nunca foi minha intenção

Um dia você deixará de ser uma ferida
e a dor se transformará numa cálida lembrança

...mas até lá so me resta a distância
e a crueldade do silêncio.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2011

Nosso amor chegou ao fim

É tão estranho agirmos como desconhecidos
Eu lembro quando não conseguiamos ficar longe um do outro

Quando eu finjo não te ver
dói tanto em mim

Você foi parte da minha vida
e com você eu dividi toda a profundidade da minha alma

Te amei tanto...
mais do que eu pensei que era possível
e senti dor
tanta dor

Eu não sei o que te dizer
As vezes eu queria sumir deste mundo
mas eu sei que tenho que seguir adiante
e me libertar das correntes que me prendem à tua lembrança

Nosso amor chegou ao fim
e agora aguardo calmamente o fim desta tristeza

É isso...
não sei mais o que te dizer.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

De uma forma tão delicada...

De uma forma tão delicada
você atravessou o oceano das minhas mágoas
e sem eu perceber
chegou na porta do meu coração

mas eu não sei se posso abrir
e te mostrar o inverno da minha alma

é frio demais
e você
tão delicada

Teus olhos são cheios de amor
de ternura

e eu ainda carrego tanta mágoa

Minha vida é uma ferida aberta
e se eu deixar você entrar
você se machucar

mas aqui fora o inverno já passou
...e eu quero tanto viver a primavera da minha alma

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

Pequena epifania matinal

Hoje eu acordei feliz
porque me dei conta que você não machuca mais meu coração
...apenas fere o meu ego

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Diário 26/02/07

....when it hurts inside,
I'm not sure if it's because I lost you
or because I lost a part of myself.

Something was lost,
and I'm afraid that I'll never feel the same again.

Time has passed,
my love,

but a part of me has remained smiling in your arms...

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 26/02/07

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Lamento confuso de um louco perdido

O sorriso dela foi um furacão que passou por minha alma

Destruiu tudo o que encontrou pelo caminho
e deixou apenas mágoa

Esse sorriso
que quase foi tudo
que foi tão meigo
foi desmanchado violentamente pelo vento desmedido desse furacão

o que eu achava tão puro
hoje me parece tão vulgar

Sei lá...
eu não quero mais nenhuma mulher vagabunda na minha vida

Não é moralismo
que elas façam o que queiram
elas tem o direito
mas não o direito de fazer o que querem comigo

Eu acho que talvez eu mereça mais

Já amei muito nesta vida
Tenho as mãos cansadas
de tantas carícias
de tantos poemas

e meus olhos?
nem falo das tragédias que já viram
e nem das lágrimas que já choraram

eles também estão cansados
Cansados demais

Já senti tanta paixão nesta vida
e houveram momentos em que compartilhei minha própria alma com algumas mulheres especiais
que foram poucas

já as que passaram na minha vida foram muitas
e nem todas merecem ser mencionadas

mas você...
foi a única que foi cruel

Talvez eu não mereça mais do que isso
porque afinal das contas
eu sou louco!
e também é louco quem não sabe disso

Os homens loucos
como eu
atraem mulheres loucas

é normal
faz parte da aritmética da vida

o problema é que eu não quero uma mulher louca

Eu quero uma mulher que me salve da loucura

mas de loucura
inteiramente
são feitas as loucas que me beijam

Mulheres loucas de noites loucas
da esquina do Manhattan
do último e do próximo sarau

mulheres loucas que são como figurantes na noturna paisagem etílica de Maringá
mas apenas figurantes

Mulheres loucas
que como todos os loucos
na verdade são tristes por dentro

e eu não quero mais essa tristeza

Quero a vida sadia que só a felicidade traz
mas sou preso à minha própria loucura
e se eu pareço livre
na verdade possuo apenas a liberdade restrita de uma profunda solidão

é que eu procuro as coisas certas nos lugares errados
procuro a salvação na boemia
mas só encontro mulheres loucas
e a perdição

Eu reclamo
mas não delas

na verdade eu reclamo de mim mesmo

pois é...

eu sei que sou canalha
que sou safado
louco
eu sei que eu não presto

mas há momentos em que eu sou só amor
e talvez seja carência
mas eu preciso demonstrar o amor que quero
preciso que saibam do meu jeito de amar
com toda sua intensidade
na esperança que eu seja amado assim também

ou talvez é pior do que isso
pode ser que eu preciso constantemente reafirmar que eu ainda posso amar...
porque eu já não tenho mais tanta certeza

ou talvez seja apenas nostalgia
daquele grande amor que tive
e que já se foi

saudade daquela mulher linda
que me aqueceu nas noites frias de Curitiba

aquela mulher que foi minha vida
que é inesquecível
e que hoje vê o sol nascer
enquanto eu o vejo morrer

Dela eu não guardo nenhuma mágoa
não há como

sinto apenas uma saudade imensa
e um carinho profundo

Foi ao perdê-la
para nossa própria juventude
que a boemia virou minha companheira inseparável

foi preciso ignorar o grande vazio que se instaurou no meu peito
já que não foi possível preenchê-lo

Eu sou louco
mas sei disso
e as vezes tento inutilmente me justificar

Meu lamento é confuso
é em vão

porque a verdade triste
é que eu não sei o que procuro
e muitos menos como achá-lo

Talvez o que eu procuro está em mim mesmo
e não há nada mais aterrorizante do que olhar para dentro
não há nada mais confuso do que a agonia da ansiedade

nem mesmo este lamento é mais confuso

e eu lamento mesmo
lamentar
sem saber o que lamentar

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Leitura de Antropologia

A Antropologia...
me canso de estudar!

Simbólico?

Quero perder-me nas significações do calor dos teu lábios macios.

Quero debruçar-me sob a estrutura do teu corpo
e estudar todos os teus rituais de amor.

Quero fazer uma pesquisa participante de tudo o que te faz feliz.

Teu sorriso é minha tese!

Agora me cale, já falei demais!

Deixe que o silêncio do meu beijo explique tudo aquilo que não sei como explicar neste papel.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A drop of rain

In the presence of your beauty
I'm a drop of rain inside the ocean

At the sweet murmur of your breath
I'm melted ice returning to the clouds

When you speak
you leave me shapeless
Vulnerable to whatever form you wish of me

When you look firmly in my eyes
I tremble

You leave me without air to breathe

When our tongues meet
and you taste my lips
I know that I've died and gone to the eternal paradise

and I couldn't picture heaven any sweeter than waking up tangled in your arms

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Miami 2002

(Nota: poema escrito para um antigo amor quando tinha 16 anos e morava em Miami)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um Homem e uma Mulher

Uma mulher chora e um homem cai em mil pedaços

Desesperado, a beija e a segura entre seus braços

"Tudo ficará bem", o homem lhe promete

"Mas a vida sempre é triste", a mulher lhe adverte

O homem, sem saber o que fazer, começa à chorar

E a mulher, comovida, decide o abraçar

"Não chore, me perdoe", ela sussurra suavemente

E sua ternura sobre ele derramou-se de repente


- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

Intimidade alegre...

Queria te escrever o poema mais lindo do mundo, mas o que sinto é tão puro e intenso que não consigo contê-lo em versos bem organizados. Não consigo conter tanto amor no meu peito, preciso derramá-lo para fora em palavras sinceras, e quando me faltam as palavras às vezes derramo algumas lágrimas. Mas essas lágrima não são de tristeza, minha linda. Tanto amor tem transformado a minha alma num oceano inteiro de felicidade, e às vezes essa felicidade foge dos meus olhos como cachoeiras. Os momentos que passo longe de você parecem intermináveis. Na solidão da tua ausência fico ansioso para voltar à roubar o gosto de paraíso dos teus lábios. Teu beijo me deixa louco, e na loucura dessa paixão me entrego inteiramente ao conforto de teu abraço. Você é tudo o que eu sempre quis, e os momentos em que estamos juntos se passam como um sonho. As vezes tenho medo de acordar e descobrir que eu apenas te sonhei, mas quando estamos juntos eu me sinto mais vivo que nunca. Eu tenho certeza absoluta de toda a beleza do mundo quando você me olha firmemente nos olhos e sorri. Me desculpe por todos meus pequenos erros e defeitos, sou louco por você, e quero ser um homem melhor à cada dia para fazer feliz.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2009

Intimidade triste...

Isto tudo tem gerado tanta dor em mim, e por vezes o retrospecto inteiro da minha vida tem parecido uma ferida aberta. A felicidade, tão rara, é como água e nos escapa pelos dedos. Mas a dor é como algemas, uma tortura lenta da qual dificilmente conseguimos fugir. E o amor, essa coisa desgraçada que todos procuramos, ora traz os momentos mais intensos de alegria, e ora traz a triste agonia de sofrer.

Peço perdão pela covardia de ser tão vil, pelo peso do egoísmo que minha alma carrega, mesmo sabendo que eu não posso ser perdoado. Já machuquei demais nesta vida, e qualquer esperança de ser realmente perdoado foi dilacerada junto com tantas ilusões. A felicidade é um labirinto, e no seu percurso sinuoso muitas vezes nos perdemos.

Eu estou preso aos meus erros constantes: não há perdão, não há cura, não mais o sonho de viver sem esta dor. Não tenho mais a ilusão de te fazer feliz. Já errei demais, e pouco me resta a não ser lembrar um doce e breve momento em que você quase foi minha para sempre. Se um dia eu te ajudei à crescer, à viver coisas novas, hoje em dia eu apenas freio a tua vida, restrinjo tua liberdade e te impeço de crescer.

Não tenho mais nenhuma carta na manga para te fazer feliz, apenas uma longa lista de erros e defeitos que quase todos os dias borram a maquiagem dos teus lindos olhos. Não sei mais o que fazer, e me rendo à impotência de saber que sou incurável. Não tem mais jeito. Vivi com muita intensidade os meus momentos de alegria, e agora só me restam dias de incerteza e a melancolia que a saudade do que já se foi sempre traz.

Eu te amo. Te amo tão desesperadamente que dói quando eu respiro. Meus olhos se enchem de lágrimas quando eu olho nos teus, porque tenho a certeza absoluta que quero morrer velhinho nos teus braços. Não consigo imaginar a vida sem você: fica tudo tão vazio.

Tão vazio.

Eu vivia apenas com a certeza que estaríamos juntos para sempre, com a certeza que você estaria sempre do meu lado.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2009

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Sad little Blues

I searched for you in all places, through land, air and sea.

Procurei desesperadamente, mas mesmo assim eu não te vi.

So I sat down on the dirty floor and wrote this sad little Blues

Inspirado na saudade do calor de nossos corpos nus.

I wish I could go back and relive all those good old days,

Mas não há como recuperar todos os momentos que o tempo desfez.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Clichê

Ah Poeta, porque tanto desespero?

Na tua poesia há tanto exagero!

Não há razão para ser assim tão passional,

tanta paixão assim há de fazer-te mal!

Ah Poeta, tente ter mais calma,

tanto desespero há de roubar-te a alma!

Eu seu que tua alma foi ferida,

mas há muita felicidade ainda nesta vida!

Então tenha calma, te peço por favor,

um dia passarão todas tuas mágoas de amor!

- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2010

Minha Pena

Quero matar o pouco de imortal que há em mim,
esta infinita recordação de teus carinhos.
Quero que abandones a escura privacidade dos meus sonhos,
para que a tua ausência não me acompanhe por todos os caminhos.

Quero conseguir pensar em tantas outras coisas,
e expulsar esta vil e puta dor do meu peito.
Quero sonhar muitos outros sonhos,
ou pelo menos um que não inclua o teu sorriso perfeito.

Quero me libertar desta suja e fria prisão
que tua recordação distante calorosamente me condena,
e preparar-me para a alegria que há de vir
quando finalmente eu cumprir esta cruel, longa e dolorosa pena.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Paixão árida

Como que tanta paixão tornou-se árida? Tua ausência me lastima. Sempre soube que o fim seria doloroso, mas a magnitude desta dor só tornou-se evidente depois de algum tempo. Alguns meses atrás juramos amor sem fim, e agora a indiferença do teu olhar passa por minha alma como um furacão. Não sei o que esperar de amanhã, mas minha vida há de acabar que seja no êxtase de um instante e não a agonia de uma morte lenta. Não quero morrer aos poucos. Quero sentir tudo de uma vez, como foi o nosso amor.

Eu não sou mais o mesmo, e tenho procurado desesperadamente saber quem sou. Minha intensa boemia é apenas um reflexo da minha dor. As vezes me convenço que estou bem, e quase sempre todos acreditam. Carrego um sorriso como uma máscara para não chorar. Tenho saudade do teu beijo, de nossas longas conversas ao longo da madrugada...

...tanta intimidade dissolvida na indiferença.

Paro, penso, e nada mais me faz sentido. Não quero racionalizar tudo o que sinto, nem transformá-lo em arte. Quero apenas desfazer-me desta dor. Não tenho ombros para carregá-la. Da mesmo forma como não soube manejar tanto amor, não sei como conduzir tanta dor. Não consigo parar de pensar em como o mundo é injusto, e tenho dificuldade em aprender as lições da vida. Me sinto vazio, e ao mesmo tempo ainda dói tanto. É cruel contrastar a alegria do começo de um amor com tortura de seu fim. As coisas perdem seu sentido. Me resta apenas a agonia de ser só. Minha única companheira é a vida, e por vezes a detesto. Ela que me deu tudo de melhor, os mais intensos momentos de amor, e as tristezas mais profundas.

Mas quer saber? Que se dane tudo, eu vou viver ao que há de melhor na vida! O tempo é curto demais para carregar tanta dor...

e eu não tenho paciência para sofrer.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Soneto do Desencargo

Queria escrever um soneto
Que fosse doce e amargo,
Feito gosto de Amaretto,
Pra minha alma um desencargo.

É assim que é o meu amor:
Metade é pura alegria,
A outra metade é pura dor,
E o meio-termo é poesia.

Minha alma as vezes chora,
E outras vezes ela ri.
E quando chegue minha hora

Deste mundo ir embora,
Jogarei minhas mágoas fora,
Porque de amor foi que vivi.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2010

Quero me enganar

Você, que tanto me acusou de ser machista, possessivo e ciumento, de só pensar em mim, não imagina a dor que eu sinto.

Já passei por isto antes, mas desta vez é tão mais doloroso e distinto.

Te libertei das minhas correntes, querendo que você seja feliz,

Mesmo que nosso fim nunca foi algo que eu quis.

Pensei só em você, e pelo menos nesse instante não pensei nem um pouco em mim.

Tentei tanto não pensar que realmente seria nosso fim.

Evitei pensar na dor que com certeza me acompanharia,

esta dor agonizante e insensata que era óbvio que sentiria.

Então me refugiei nos meus amigos, me escondi nas mesas do bar.

Tentei fingir que não doía, mas não consegui me enganar.

Queria tanto ser tuas asas, mas acabei sendo tua prisão.

Talvez um dia você possa estender-me teu perdão.

Os amigos que você tanto queria, agora você tem.

Eu sei que deveria estar feliz, porque te amo e quero o teu bem,

Mas quando eu vi tuas fotos de balada, comecei a chorar...

O que eu quero mais que tudo é conseguir me enganar.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - San Rafael 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cair e Levantar

Não sei se amo sofrendo, sofro amando, ou se amo mesmo é sofrer

O amor é irracional, não importa de que forma eu tente ver

Com os anos aprendi que nem tudo neste mundo pode-se entender

e quanto mais eu tento, mais eu me esqueço de viver

Que coisa estranha que é o amor, e que agonia que é amar!

De uma triste solidão, te deu asas para voar

Mas mesmo no alto da alegria, saiba que pode acabar

e a queda sempre é forte, quando tuas asas o amor castrar

Feridas viram cicatrizes, e as marcas nunca somem

Mas lembre-se amigo, a dor não é maior que este homem!

Mais importante que saber cair, é saber se levantar

e enterrar as dores do passado, para um dia voltar a amar.

- Bartolomeu Parreira Nascimento - Maringá 2010

(Nota: da série A Última Palavra é o Amor, escrito após o fim de um namoro)